Mecanismo de Ação do Laser

Mecanismo de Ação do Laser

Quando a luz laser incide em um tecido biológico, uma parte da luz é
refletida, outra é espalhada dentro do tecido e parte da luz remanescente é
absorvida, tanto pela água no tecido como por algum outro absorvedor, como a
hemoglobina e melanina e parte da luz é transmitida ao longo do tecido.

Apenas a luz absorvida é útil.

A interação da luz com os tecidos biológicos se dá principalmente por meio das
interações da luz com as estruturas celulares fotossensíveis, denominadas
fotorreceptores.
Os comprimentos de onda vermelhos (600-700nm) são absorvidos nas células,
principalmente pelas mitocôndrias, enquanto os comprimentos de onda no
infravermelho próximo (750-950nm) são absorvidos pela membrana celular (2).
Tanto a radiação emitida no visível como no infra-vermelho mostram ser
benéficas na laserterapia, e já que elas diferem dramaticamente em suas
propriedades fotoquímicas e fotofísicas, SMITH propõe uma modificação
no modelo de Karu para explicar isto. No modelo de Karu (1), a luz visível
produz mudanças fotoquímicas nos fotoreceptores das mitocôndrias, que
alteram o metabolismo, que conduz a transdução do sinal a outras partes
da célula ( incluindo membranas ), que finalmente conduzem a
fotoresposta ( bioestimulação ). Enquanto a luz visível provavelmente
inicia a cascata de eventos no nível da cadeia respiratória das
mitocôndrias através de eventos fotoquímicos (provavelmente a
fotoativação de enzimas), SMITH(2) sugere que por causa das
propriedades fotofísicas e fotoqúímicas da radiação no infra-vermelho,
esta inicie a cascata de eventos metabólicos através de efeitos fotofísicos
sobre as membranas (provavelmente os canais de Ca++ ), conduzindo a
mesma resposta final.

A energia dos fótons de uma radiação laser absorvida por uma célula
será transformada em energia bioquímica e utilizada em sua cadeia
respiratória. A luz laser visível absorvida pelas mitocôndrias, induz uma
reação fotoquímica, ou seja, há uma direta ativação da indução de síntese
de enzimas. A luz infravermelha produz alterações no potencial de
membrana e induzem efeitos foto-físico e fotoelétrico. Ambos produzem um incremento na síntese de ATP, bem como na síntese de proteínas e
uma modulação do estresse oxidativo celular. Desta forma, o estimulo
fotônico desencadeia uma cascata de sinalizações intracelulares,
promovendo uma série de eventos como a modulação dos processos
inflamatórios (Silveira (3), Almeida Lopes (4), Kami (4), analgesia (Bladley
(5), proliferação celular, (Almeida Lopes (6) entre tantos outros.
Penso que a principal estrutura neste contexto é o ATP, visto ser ele o
modelo ideal do sistema transceptor, integrado ao sistema biológico
humano que permite a célula fixar a energia que ela está recebendo da
luz.

Referencias

  1. KARU, T. “Photobiology of low-power laser ecffets”. Healyh Phys. V. 56, p. 50,
    691-704, 1989.
  2. SMITH, K. “The fhotobiological basis of low level laser radiation teraphy. Laser
    Ther, 3 ( 1 ), p. 19 – 24 , 1991.
  3. – SILVEIRA, L.B.- Verificação do comportamento de mastócitos na parede não
    mineralizada da bolsa periodontal supra óssea submetida à radiação laser de baixa
    intesnsidade. (Estudo in anima nobile). Dissertação apresentada como parte dos
    requisitos para obtenção do grau de mestre profissional em lasers em odontologia.
    IPEN/FOUSP, São Paulo, 2001.
  4. – ALMEIDA, L. L. Analise in vitro de proliferação celular de Fibroblastos de gengiva humana
    tratados com laser de baixa potência. São José dos Campos, 1999. Dissertação (Mestrado em
    Ciências) – Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Universidade do Vale do Paraíba
  5. – KAMI, T.; YOSHIMURA, Y.; NAKAJIMA, T.; OHSHIRO, T.; FUJINO, T.; – Effect of Low- powered diode lasers on flap survival, Ann. Surgery, v. 14 n. 3, p. 278, 1985.
  6. — BRADLEY, P. F., Pain relief in Laser Therapy, 5th Congress of the International Society for Lasers Dentistry, 5–9 maio Jerusalem, Israel, 1996.
  7. -ALMEIDA LOPES, L. Analise in vitro de proliferação celular de Fobroblastos de gengiva humana tratados com laser de baixa potência. São José dos Campos, 1999. Dissertação (Mestrado em Ciências) – Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Universidade do Vale do Paraíba.